Adultos têm permissão para sonhar?

À medida que fui crescendo, percebi o quanto as animações que assistia na infância pareciam mais simples agora. Os roteiros que me faziam viajar nas histórias, os detalhes do desenho, os personagens… quando revistos na maturidade, me pareceram menos complexos.


Fiquei muito triste ao perceber isso. Eu havia perdido o poder da fantasia. Entender o mundo me tirou a possibilidade de interpretá-lo com a imaginação.


Mas, quando assisti a A Viagem de Chihiro, voltei a sonhar.


Há algo na forma como a história é contada nessa animação. A construção da história não obedece à linearidade ocidental; os personagens, os cenários, os símbolos não são acessórios para a história da protagonista — eles existem por si mesmos, mesmo que a influenciem.


As cenas normalmente cortadas dos filmes são partes da história principal que se desenrola: o ato de cozinhar, os cenários de fundo, a vida não humana, a infância.


Quando a lógica é substituída pelo lúdico, o adulto é obrigado a pensar novamente, a resignificar a sua compreensão — ou melhor, a incompreender. 




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