SWIN: Morrer afogado é uma opção falsa. À disposição, há apenas o “continuar”.
Quando continuar é a única opção, então, depois, ela se mostra a melhor.
Clarice Lispector, no livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, fala, por meio do personagem Ulisses, sobre o “apesar de”, trazendo à tona o modus operandi que impulsiona a vida: viver apesar de.
“Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive, muitas vezes, é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que, insatisfeita, foi a criadora de minha própria vida.”
Por vezes, continuar não é sequer uma das opções na prateleira da vida, mas a única.
Nós, seres tão humanos, incapazes de prever o que o futuro nos reserva, mesmo dispondo de tantas tecnologias e meios de prever até as maiores catástrofes, não temos a que nos agarrar quando nossas "ferramentas mágicas" falham.
Quando o mundo ao redor muda, a despeito do nosso planejamento, somos jogados em um mar de incertezas. Temos permissão para abandonar o barco?
O que fazer quando perdemos algo pelo caminho? Quando perdemos algum sentimento que nos impulsionava? Temos permissão para nos afogar em desespero?
Morrer afogado é uma opção falsa. À disposição, há apenas o “continuar”.
Em Swim, o BTS descreve o continuar não apenas como uma opção, mas um imperativo. É nadar ou morrer.
Quando o grupo se preparava para uma pausa (que poderia ser definitiva), o caos da pandemia da COVID-19 fez com que a escolha de parar se tornasse uma obrigação. Por ironia do destino, a pausa do grupo foi adiada por uma pausa mundial. E, contraditoriamente, continuar navegando, mesmo cansados, prontos para amarrar as cordas no porto mais próximo — justamente porque a pausa foi adiada — deu a eles a oportunidade de perceber que parar não era a melhor das opções.
Quando continuar nadando é a única opção, significa que, em algum momento, após tantas braçadas, algo mudará, pois não há movimento que não produza mudança. Quem continua nadando, mais cedo ou mais tarde, chega a algum lugar.
É preciso nadar apesar de. Inclusive, é o próprio nadar apesar de que nos empurra para a frente. É o nadar apesar de que nos dá uma angústia que, insatisfeitos, será a criadora da nossa própria vida.
Continue nadando!

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